Os Biomas do Brasil

O Brasil é um dos países mais ricos do mundo em termos de biodiversidade. A floresta amazônica, muitas vezes conhecida como os pulmões do mundo, é reconhecida como a região mais diversificada do mundo.

É assim mesmo? O Brasil esconde muitos biomas tão ricos quanto a floresta tropical, mas muito mais desconhecidos e com alto grau de ameaças que afetam sua conservação. Neste post explicarei as principais características dos seis biomas brasileiros e revisarei diferentes culturas que foram introduzidas no país desde tempos históricos afetando o equilíbrio natural de seus ecossistemas, desde açúcar e café até soja.

BIOLOGIA DO BRASIL

O Brasil é reconhecido como o país com maior biodiversidade do mundo, seguido pela China, Indonésia, México e África do Sul. O Brasil, segundo publicações científicas recentes, é o país com a flora mais rica do mundo, com 46.100 espécies de plantas, fungos e algas descritas, sendo 43% endêmicas.

Este número aumenta a cada ano, uma vez que muitas biodiversidade do Brasil ainda são desconhecidas. Na verdade, estima-se que 20.000 espécies ainda não foram descritas. Botânicos descrevem cerca de 250 novas espécies de plantas todos os anos no Brasil. Então, se você é taxonomista disposto a contribuir, há pessoas carentes no Brasil!

Outro fato surpreendente é que 57% das 8900 espécies de plantas de sementes no Brasil são endêmicas.

BIOMAS BRASILEIROS

biomas brasileiros

Atualmente, são definidos seis tipos diferentes de biomas no Brasil: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. Essa classificação pouco mudou desde a primeira tentativa de classificar a vegetação brasileira em domínios florísticos elaborados por Martius em 1824, que deu nomes de ninfas gregas aos cinco domínios detectados.

Ele escolheu os Nayades, ninfas de lagos, rios e fontes para chamar a Amazônia. Para o cerrado, ele tomou as Oreades, ninfas das montanhas, companheiros de Diana, a deusa da caça. Ele nomeou a Mata Atlântica sob as Dryades, as ninfas protetoras de carvalhos e árvores em geral. Ele considerou florestas de pampas e araucárias sob o domínio de Napeias, ninfas de vales e prados e, finalmente, Hamadryades, protetores de ninfas cada uma de uma determinada árvore, foram usadas para designar a caatinga.

O Brasil é um dos poucos países do mundo, incluindo dois hotspots para a conservação da biodiversidade: a Mata Atlântica e o Cerrado.

Caatinga, no único bioma exclusivo do Brasil, outras savanas resistentes do tipo Cerrado são encontradas na América do Sul e a Floresta Atlântica, fora do Brasil, só é encontrada no nordeste da Argentina e leste do Paraguai.

1. AMAZÔNIA

amazonia

A área da bacia amazônica é a maior floresta do mundo e o bioma mais biodiversificado do Brasil. Ocupa quase 50% do país e está seriamente ameaçada devido ao desmatamento causado por indústrias madeireiras e culturas de soja. Atualmente estima-se que 16% da floresta amazônica esteja sob pressão antrópica.

A origem da diversidade amazônica permanece um mistério. Estudos científicos recentes explicam que a ascensão dos Andes, que começou há pelo menos 34 milhões de anos, originou essa riqueza biológica. Os Andes foram formados pelo colapso da placa tectônica americana sob a placa oceânica do Pacífico.

Este processo geológico alterou o regime eólico na área, afetando os padrões de precipitação no lado leste dos Andes. Isso também mudou a direção do rio Amazonas que antes voou para o Oceano Pacífico, mas devido a esta subida da faixa gemountain foi redirecionado para o oceano Atlântico.

Esses fenômenos geológicos e climáticos originaram a formação de uma grande área de pântanos na parte oriental dos Andes, causando o aparecimento de muitas espécies novas. A Amazônia é uma floresta tropical coberta com um solo arenoso, pobre em nutrientes. A vegetação é inexistente e os organismos são distribuídos ao longo do dossel.

Encontramos famílias de plantas pantropicas como Fabaceae, Rubiaceae ou Orchidaceae, e outras de origem amazônica; como Lecythidaceae (uma de suas espécies mais famosas é a castanha do Brasil, Bertholletia excelsa) ou Vochysiaceae.

2. MATA ATLÂNTICA

mata atlantica

A Mata Atlântica é uma floresta tropical que cobre a região costeira do Brasil e, portanto, é caracterizada por ventos úmidos provenientes do mar e relevos íngremes. É composto por uma variedade de ecossistemas porque uma grande variedade de altitudes, latitudes e, portanto, climas que vão desde florestas sazonais semidecíduas até campos de montanha abertos e florestas de Araucária no sul.

Embora muito menos conhecida do que a floresta amazônica, a Mata Atlântica tem a maior diversidade de angiospermas, pteridófitas e fungos no país; com um nível muito elevado de endemismo (50% de suas espécies são exclusivas) e está em um pior nível de conservação.

Na verdade, até a chegada dos europeus, era a maior floresta tropical do mundo. Hoje permanece apenas 10% do seu comprimento original devido à pressão antropogênica. Uma das primeiras explorações deste bioma foi o pau-brasil (Caesalpinia echinata), valorizado por sua madeira e pelo corante vermelho de sua resina, que deu nome ao país.

Pau-Brasil foi então seguido por outros impactos humanos como cana-de-açúcar e cultivo de café e mineração de ouro. Mas não foi até o século XX que a degradação do meio ambiente piorou, uma vez que as principais capitais econômicas e históricas como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador estão dentro de seu domínio.

No entanto, temos de ser optimistas. O bioma da Mata Atlântica é a região com mais unidades de conservação na América do Sul.

3. CERRADO

cerrado

É o segundo maior bioma da América do Sul cobrindo 22% do Brasil.

É considerada a savana mais rica do mundo em termos de número de espécies. Contém um alto nível de espécies endêmicas e é considerado um dos hotspots globais em termos de biodiversidade. Contendo 11.627 espécies de plantas (das quais 40% são endémicas) e 200 espécies animais, 137 das quais estão ameaçadas de extinção.

O Cerrado está em áreas interiores do Brasil com duas estações bem marcadas (chuva e estação seca). Inclui diferentes tipos de habitats, como campo sujo, campo limpo ou cerradão. É composto por pequenas árvores com raízes profundas e folhas com tricomas e uma vegetação rasteira composta por juncos e gramíneas. Os solos do cerrado são arenosos e pobres em nutrientes, com cores avermelhadas com alto teor de ferro.

Os gêneros Vochysia e Qualea (Vochysiaceae) dominam a paisagem de savana do cerrado. Representantes das Asteraceae, Fabaceae e Orchidaceae são os mais frequentes em termos de número de espécies.

Está em segunda posição em termos de degradação no Brasil nas últimas décadas. A origem dessa destruição é o desenvolvimento da indústria agrícola: aproximadamente 40% das culturas de soja (o Brasil é o maior produtor de soja do mundo) e 70% da carne bovina é produzida em áreas de cerrado.

Metade do bioma do cerrado foi destruído nos últimos 50 anos. Apesar deste risco, apenas 8% da sua área está legalmente protegida.

4. CAATINGA

caatinga

É o único bioma exclusivamente brasileiro e ocupa 11% do país. Seu nome vem de uma língua nativa do Brasil, o Tupi-Guarani e significa floresta branca. No entanto, este bioma é o mais subvalorizado e pouco conhecido por causa de sua aridez.

O clima da caatinga é semi árido e os solos são pedregosos. A vegetação é parecida com estepe e savana como e é caracterizada por uma grande adaptação à aridez (vegetação xerófita) muitas vezes espinhosa.

As caatingas perdem as folhas durante a estação seca, deixando uma paisagem cheia de troncos esbranquiçados.

Famílias de plantas que predominam a paisagem caatinga são Cactaceae (gêneros Cereus, Melocactus ou Pilosocereus são comuns), Bromeliaceae e Euphorbiaceae, mas representantes de Asteraceae, Malvaceae e Poaceae também podem ser encontrados. Uma espécie típica de caatinga é o Juazeiro (Ziziphus joazeiro, Rhamnaceae).

O estado de conservação da caatinga também é crítico. Cerca de 80% da caatinga já está antropizada. O principal motivo para esta degradação é a indústria alimentar e a mineração.

5. PAMPA

pampa

O Pampa é um bioma que ocupa um único estado no Brasil, o Rio Grande do Sul cobrindo apenas 2% do país. O bioma Pampa também está muito bem representado no Uruguai e no norte da Argentina. Inclui uma grande diversidade de paisagens, que vão desde planícies, montanhas e afloramentos rochosos, mas os mais típicos são campos de grama com colinas e árvores isoladas nas proximidades de cursos de água.

Cerca de 1.900 espécies de plantas com flor foram catalogadas no Pampa, das quais 450 são da família da grama (Poaceae) e 141 de Cyperaceae. Também as espécies de Compositae (Asteraceae) e leguminosas (Fabaceae) são freqüentes. Nas áreas de afloramentos rochosos podemos encontrar um grande número de Cactaceae e Bromeliaceae.

Em relação à fauna, existem até 300 espécies de aves e 100 de mamíferos, com as espécies emblemáticas rhea, vicuña (camelídeos sul-americanos) ou Cavia (roedores próximos às capivaras).

A região de pampas tem um patrimônio cultural muito típico, compartilhado com os habitantes de pampas da Argentina e do Uruguai e desenvolvido pelo povo gaúcho.

As atividades econômicas mais desenvolvidas são a agricultura e a pecuária, que vieram junto com a colonização ibérica, deslocando grande parte da vegetação nativa. De acordo com estimativas de perda de habitat, em 2008 apenas 36% da vegetação nativa permaneceu. Apenas 3% do pampa é protegido sob alguma forma de unidade de conservação.

6. PANTANAL

pantanal

O bioma do Pantanal é uma estepe florestal inundada que ocupa a planície afluvial do rio Paraguai e seus afluentes. É, portanto, uma planície húmida que inunda durante a estação chuvosa, de novembro a abril. Estas inundações favorecem uma elevada biodiversidade. Ocupa apenas 1,75% do Brasil e, portanto, é o bioma menos extenso do país.

Quando ocorrem inundações, muita matéria orgânica emerge, uma vez que a água carrega todos os vestígios de vegetação e animais em decomposição favorecendo a fertilização do solo.

Campos de gramíneas (Poaceae) configuram a paisagem típica no Pantanal. As áreas não inundadas são ocupadas por arbustos e até árvores. Cerca de 2.000 espécies diferentes de plantas foram catalogadas no Pantanal. Algumas das mais representativas são palmeiras (Arecaceae) e macrófitas aquáticas (Lentibularaceae, Nymphaeaceae, Pontederiaceae).

O Pantanal contém uma grande diversidade de peixes (263 espécies), anfíbios (41 espécies), répteis (113 espécies), aves (650 espécies) e mamíferos (132 espécies), sendo a arara de jacinto, o jacaré ou a onça-preta as suas espécie mais emblemática.

Após a Amazônia, é o segundo bioma mais preservado do Brasil, uma vez que 80% de sua extensão mantém sua vegetação nativa. No entanto, a atividade humana também teve um grande impacto, especialmente com as atividades agrícolas.

A pesca e o gado são as atividades econômicas mais desenvolvidas no Pantanal. Também o estabelecimento de usinas hidrelétricas está ameaçando o equilíbrio ecológico do meio ambiente, porque se o regime de inundações for quebrado, a vida selvagem será afetada.

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